@ 3.º TOQUE, jornal da ESG, no ano lectivo de 2005/2006

O TESG – Teatro da Escola Secundária de Gondomar vai já no seu quarto ano de actividades.

Na sequência da experiência por que passaram na Festa de Final de Ano, efectuada então no Auditório Municipal, os alunos do 11.º 08 (2001/02) manifestaram-me a vontade de continuarem a fazer teatro. Foi assim que, no início do ano lectivo de 2002/03, apresentei, ao Conselho Pedagógico, uma proposta de criação de um Clube de Teatro.

Aprovado o projecto, metemos mãos à obra e, de imediato, preparámos e apresentámos, à comunidade escolar do concelho de Gondomar e ao público em geral, o Auto da Índia, de Gil Vicente.

No decurso do mesmo ano lectivo, foi a nossa escola convidada, pela Câmara Municipal, a participar na Cerimónia de Encerramento da Festa do Sável e da Lampreia 2003, o que fez com a encenação de O Caso do Colesterol Assassino, um texto da autoria de Aires Alexandre, membro da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia. O desempenho do Clube de Teatro colheu de surpresa os diversos participantes, recebendo rasgados elogios dos representantes da edilidade e de médicos especialistas (cardiologia, oncologia e nutricionismo) presentes na cerimónia. Afinal, nas palavras do Dr. Fernando Paulo, vereador do Pelouro da Cultura, era possível fazer teatro com um cariz pedagógico.

O ano lectivo de 2003/04 foi o ano da confirmação: decidido a enfrentar um projecto arrojado, o colectivo do Clube de Teatro, em parceria com o então criado Clube de Dança, concebeu e encenou o espectáculo Lá Há Índias Mui Formosas…, uma recriação do Auto da Índia, do Auto da Barca do Inferno e do Episódio do Velho do Restelo, com coreografias originais. Ao longo de quatro semanas, o Auditório Municipal acolheu público de diferentes escolas do concelho, lotando-se completamente na sessão realizada à noite para o público em geral.

No ano seguinte, por razões de ordem diversa, apesar de ter sido mantida a regularidade dos ensaios, a visibilidade do Clube de Teatro acabou por se resumir a uma representação no Auditório Municipal. Não contentes com semelhante situação, uma espécie de triste arremedo do que de bom já havia sido feito, os seus elementos fizeram um solene juramento: ano novo, vida nova. Mesmo assim, alguns deles ainda participaram na gravação do CD áudio que acompanha o manual de Português do 12.º ano, Das Palavras aos Actos, dando a voz a algumas personagens de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro. O resultado final – pode-se afirmar sem falsa modéstia – é um motivo de orgulho.

Assim, quando a maioria ainda gozava os últimos dias das merecidas férias de Verão, já esta gente se reunia para planificar e começar a trabalhar no projecto do presente ano lectivo. Desde logo, entendeu que a tal vida nova também passaria pela alteração da designação do grupo, numa tentativa de oferecer um visual que melhor possibilitasse uma mais fácil divulgação da sua imagem. Admitamos, pois, que era também uma questão de marketing. A ideia foi entendida e apoiada pelo Conselho Executivo e hoje, graças à prestimosa colaboração do professor Luís Costa, o grupo não só tem a sua nova sigla, como também o seu próprio logotipo: nasceu o TESG.

Por coincidência, ou talvez não, apareceram novos elementos, cuja integração se está a fazer de modo a melhor responder aos desafios que se nos deparam pela frente.

De momento, e praticamente em simultâneo, o TESG ensaia dois autos de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno e Auto da Índia), Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro, e Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Só a autonomia entretanto alcançada por alguns dos seus elementos permite semelhante arrojo.

No final de Fevereiro, o TESG apresentará dois espectáculos de Felizmente Há Luar!, um à tarde e outro à noite, e, no decurso do mês de Março, dedicará três tardes (em semanas distintas) e uma noite ao teatro vicentino (a 1.ª parte com a reposição de Lá Há Índias Mui Formosas… e a 2.ª com uma recriação do Auto da Barca do Inferno). Uma grande ousadia? Certamente que sim. Mas ousamos arriscar.

Não gostaria de terminar este texto sem deixar de manifestar o meu testemunho de apreço por quantos têm apoiado e colaborado com o TESG, nomeadamente o Conselho Executivo cujo carinho registo com particular agrado. Uma palavra de afecto e gratidão muito especial dirigida à professora Ana Paula Cascarejo que, na ausência do Clube de Dança, se propõe criar novas coreografias para a reposição de Lá Há Índias Mui Formosas..., espectáculo que foi muito do agrado do público. Finalmente, uma mensagem de louvor e entusiasmo para todo o elenco do TESG, que tudo tem feito para dignificar o nome da Escola Secundária de Gondomar, a que pertence ou a que já pertenceu.

Por Manuel Maria

Coordenador do TESG

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